sábado, 12 de fevereiro de 2011

Futuro de Mubarak
Foto: AP
Egípcia lê jornal após passar a noite na praça Tahrir, no Cairo
Mubarak continua com sua família em seu palácio no resort de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, sob forte esquema de segurança montado pelo Exército.
Segundo o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne, ainda não se sabe se o ex-presidente permanecerá no Egito. Também é incerto o futuro do vice-presidente, Omar Suleiman, e de outros civis que mantiveram seus cargos do governo anterior.
Depois da renúncia de Mubarak, nessa sexta-feira, os poderes presidenciais ficaram com o Conselho das Forças Armadas, liderado pelo ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi.
O Alto Conselho militar afirmou que está preparado para suprir as “demandas legítimas” do povo egípcio.
Por enquanto, não se sabe quais serão os próximos passos do novo governo. Os militares também disseram que encerrariam o estado de emergência que vigora no país há 30 anos.
“Estamos cientes da magnitude da situação e da gravidade das demandas do povo em implementar mudanças radicais. O conselho está estudando esse tema com a ajuda de Deus em um esforço de alcançar as aspirações de nosso povo”, disse o porta-voz das Forças Armadas.
O porta-voz agradeceu a Mubarak “pelo que ele nos deu durante seu tempo, em guerra e paz, e por sua decisão de colocar os interesses do país em primeiro lugar”.
Jornais
A mudança no poder egípcio também se reflete na mídia do país. Segundo o correspondente da BBC Sebastian Usher, diários que antes defendiam Mubarak agora saúdam a mobilização popular e a saída do presidente.
A manchete deste sábado do jornal Al Ahram, o principal do país e anteriormente tido como pró-Mubarak, era: "O sangue dos mártires deram à luz um novo Egito". Na foto principal, aparece uma mulher emocionada, vestindo um "hijab" branco.
A mídia de outros países árabes, principalmente os jornais mais radicais, também saudaram a saída do presidente. O diário pan-árabe Al-Quds Al-Arabi, editado em Londres, dizia simplesmente: "Obrigado, povo egípcio".
O editor do jornal, Abdel Bari Atwan, foi além e saudou o "colapso do eixo de moderação" no Oriente Médio, além do "fim da dominância de Israel, que fez os regimes árabes se ajoelharem perante as suas autoridades".
Na Jordânia, a agência oficial de notícias afirma que o governo do país respeita a escolha feita pelo povo egípcio, afirmando que existe grande confiança de que as Forças Armadas garantirão a estabilidade do país.
Já a imprensa estatal do Iêmen, que também registrou protestos populares em favor de reformas democráticas, disse que o governo do presidente Ali Abdallah Saleh diz esperar que os militares egípcios consigam garantir tranquilidade no país.
Comemorações
O clima era de "vitória" nessa sexta-feira nos bairros do Cairo, após o anúncio da saída de Mubarak. Houve buzinaço, pessoas dançando nas ruas, nas janelas de carros, prédios e casas.
Um dos expoentes da oposição, Mohamed ElBaradei, ex-chefe da Agência Atômica da ONU, disse à BBC que sentiu "alegria e euforia" porque, “após anos de repressão, o Egito finalmente foi libertado e colocou-se no caminho para um país de democracia e justiça social”.
Questionado pela BBC sobre a cúpula militar que está no poder no país, ElBaradei disse esperar que “ela divida o poder com os civis durante o período de transição. Espero que tenhamos um conselho presidencial, um governo de unidade nacional e tempo suficiente – talvez um ano – para nos prepararmos para eleições genuinamente livres”.
Bens congelados
Apenas meia hora depois do anúncio da renúncia, a Suíça informou que vai instruir seus bancos a congelar eventuais bens de Mubarak e sua família.
Medida semelhante havia sido tomada pelo governo suíço com relação aos bens do ex-presidente tunisiano Zine Al-Abidine Ben Ali e do marfinense Laurent Gbagbo, que tenta permanecer no poder na Costa do Marfim.
Não se sabe quanto dinheiro Mubarak tem no exterior, mas especula-se que a quantia transferida pelo ex-presidente para fora do Egito chegue a bilhões de dólares, e parte disso estaria guardada na Suíça.
Na última quinta-feira, em um pronunciamento pela televisão, Mubarak havia rejeitado renunciar, mas admitira transferir alguns poderes para seu vice.
Reações
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que o Egito nunca mais será o mesmo depois do movimento que levou à queda de Hosni Mubarak e que a renúncia do líder marca o início da transição.
“O povo do Egito falou, suas vozes foram ouvidas, e o Egito nunca mais será o mesmo”, disse o presidente, em um pronunciamento na Casa Branca.
Segundo Obama, a renúncia de Mubarak não encerra a transição no país, e haverá “dias difíceis” pela frente.
“Ao renunciar, o presidente Mubarak respondeu à fome de mudança do povo egípcio. Mas este não é o fim da transição no Egito. É um começo”, afirmou o presidente americano.
Já o ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou que qualquer tentativa de se "voltar o relógio" no Egito seria profundamente prejudicial para a estabilidade e coesão no país.
Ele também disse que a saída de Mubarak deve "sacudir" os israelenses e palestinos para que se engajem em novos esforços para chegar a um acordo de paz.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ataque de menino-bomba mata mais de 30 no Paquistão

Foto: AFP
Militares guardam área onde atentado suicida foi cometido, em Mardan
Um atentado suicida matou pelo menos 31 pessoas dentro de uma área militar na cidade de Mardan, no noroeste do Paquistão. Autoridades afirmam que o ataque foi realizado por um menino-bomba, que usava um uniforme escolar.
O atentado ocorreu em uma área destinada a desfiles no Centro do Regimento Punjab do Exército paquistanês. O oficial da polícia Abdullah Khan disse à BBC que o jovem que realizou o ataque usava um uniforme da Escola Aziz Bhatti, próxima ao local.
O menino-bomba acionou os explosivos às 8h (1h, horário de Brasília), enquanto diversos recrutas faziam treinamento físico, disse o policial.
"Ataques covardes como este não podem afetar o moral das agências de segurança e a determinação da nação em erradicar o terrorismo", afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, em pronunciamento.
O correspondente da BBC em Islamabad Aleem Maqbool disse que o Exército é alvo constante de ataques nesta região do Paquistão, onde o Talebã possui vários militantes. Outro atentado realizado no mesmo local, em 2006, matou 20 soldados.
Em julho de 2010, um grupo de militantes escalou um muro na parte de trás da base militar para realizar um ataque com tiros e explosivos, mas foi rechaçado pela polícia e por soldados.
Atentados realizados por jovens tornaram-se algo comum na região. Há relatos de que campos secretos onde crianças entre 10 e 12 anos eram treinadas para realizar ataques suicidas foram descobertos pelo Exército do Paquistão.
Ofensiva
O ataque ocorre dias depois que autoridades do país iniciaram uma grande ofensiva contra militantes islâmicos na região tribal de Mohmand, perto de Mardan, que é tradicionalmente um refúgio de militantes do Talebã e da Al-Qaeda.
Milhares de pessoas deixaram a área depois que o Exército usou helicópteros e armas pesadas para encurralar suspeitos. Maqbool afirma, no entanto, que os combatentes islâmicos normalmente se misturam aos civis enquanto estes buscam refúgio durante estas ofensivas.
O governo do Paquistão apoiou o Talebã quando o grupo estava no poder no Afeganistão, entre 1996 e 2001, mas tornou-se aliado dos Estados Unidos durante a invasão do país vizinho, logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Islamabad nega acusações de que esteja fazendo pouco para combater os militantes muçulmanos. O governo alega que mais de 2,4 mil soldados já morreram desde 2002.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ex-refém das Farc reencontra família após mais de um ano de cativeiro

AP
Segundo Baquero, todos os reféns devem ser libertados até junho
Uma missão humanitária a bordo de um helicóptero brasileiro resgatou, nesta quarta-feira, um dos cinco reféns que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) haviam prometido libertar nos próximos dias.
O vereador Marcos Baquero, de 33 anos, era mantido em cativeiro desde junho de 2009. Em suas primeiras declarações a uma emissora de TV local, Baquero fez um apelo para que todos os reféns em poder da guerrilha sejam libertados.
"Temos que continuar trabalhando duro para a libertação de outros sequestrados", disse, por telefone, à TV Caracol. "Graças a Deus, já estou em liberdade."
O helicóptero que transportava Baquero chegou ao aeroporto de Villavicencio, no departamento (Estado) de Meta às 17h (19h no Brasil), com pelo menos três horas de atraso em relação ao horário previsto para o fim deste primeiro resgate - de uma série de três que serão realizados até domingo.

O vereador foi recebido com emoção pela esposa e dois filhos, um de 10 e outro de 2 anos.

Marcha
Logo depois de sua chegada, Baquero disse que organizará uma passeata para para exigir a libertação de todos os reféns.
O vereador disse que uma das dificuldades que enfrentava em cativeiro era estar isolado. "O pior é não ter com quem conversar."

"É preciso acabar com os sequestros, isso é muito duro para o país, muitas famílias estão sofrendo com isso", disse.

Baquero reiterou a informação que havia sido divulgada pela ex-senadora Piedad Córdoba, ao afirmar que "provavelmente" até junho todos os reféns que ainda estão em cativerio serão colocados em liberdade.
Os familiares organizaram uma festa para receber o vereador, que era presidente do Conselho Municipal de San José del Guaviare quando foi sequestrado pela guerrilha.
Participaram da missão humanitária a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, membros da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz e a tripulação brasileira.
Conforme o acordo estabelecido entre a guerrilha, Cruz Vermelha e o governo, as Forças Armadas suspenderam suas operações militares, incluindo sobrevoos, durante 36 horas, para garantir a segurança das equipes de resgate e dos reféns.
Acordo de paz
A libertação deste grupo de reféns aumenta a expectativa na Colômbia de que a guerrilha e governo negociem um acordo de paz para terminar com o conflito armado que dura mais de seis décadas.
Nesta semana, as Farc emitiram um comunicado no qual mencionam a necessidade de abrir um canal de diálogo que leve a uma "negociação política" do conflito armado.
Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, as libertações unilaterais não são suficientes para isso.
"Isso não basta. Os colombianos exigimos, demandamos a imediata libertação de todos os sequestrados", disse. "Para começar a pensar na possibilidade de diálogo são necessários fatos contundentes: renúncia ao terrorismo, ao sequestro, ao narcotráfico, à extorsão e à intimidação", afirmou Santos na segunda-feira.
A última e fracassada tentativa de diálogo entre governo e as Farc ocorreu durante o governo de Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002. Desde então, em especial, com a chegada do governo do ex-presidente Álvaro Uribe prevalece a vía militar, não negociada, de combate ao grupo armado.
Novas libertações
Na sexta-feira, a missão humanitária deve regressar à selva colombiana para resgatar a outros dois reféns: o vereador Armando Acuña e o soldado da Marinha Henry López.
O fim do processo de libertações, que ocorrerão em três pontos diferentes da selva colombiana, será no domingo, quando a missão humanitária deve trazer de volta o major da polícia Guillermo Solórzano e o suboficial do Exército Salín Antonio Sanmiguel.
Com essas libertações, ainda restarão 16 reféns em poder da guerrilha. De acordo com a senadora Piedad Córdoba até junho, todos os sequestrados serão colocados em liberdade.
Córdoba, que se tornou a principal articuladora das libertações unilaterais de reféns da guerrilha, teve seu mandato cassado no ano passado, em uma controvertida decisão da Corte colombiana, que a acusou de manter ligações políticas com o grupo armado.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Manifestações no Egito continuam, apesar de diálogo

Manifestantes na Praça Tahrir nesta segunda-feira
Muitos manifestantes passaram a noite acampados na praça Tahrir
O diálogo iniciado entre o governo egípcio e a oposição, no domingo, não conseguiu conter os protestos populares contra o presidente Hosni Mubarak, que completam duas semanas nesta segunda-feira.
Milhares de manifestantes passaram a madrugada desta segunda-feira acampados na praça Tahrir, no centro do Cairo, e prometem manter os protestos até que Mubarak deixe o cargo.
O governo ofereceu uma série de concessões durante as negociações do domingo, mas a oposição diz que elas não foram suficientes.
Em mais uma indicação de que a vida no Egito ainda está longe de voltar ao normal, a Bolsa de Valores do Cairo, praticamente fechada desde o início dos protestos, adiou por pelo menos 24 horas a retomada dos negócios.
Grande parte do comércio na capital egípcia também está fechada, provocando problemas de desabastecimento e corrida dos egípcios por suprimentos.
Alguns bancos reabriram suas portas no domingo, após vários dias de fechamento, mas as escolas permanecem fechadas.
O valor da libra egípcia, que já havia caído 17% desde o início dos protestos, caiu mais 1,5% na abertura dos negócios nesta segunda-feira, numa indicação do impacto dos protestos sobre a economia do Egito.
Num novo teste para a economia local, o governo planeja o leilão de US$ 2,5 bilhões em títulos públicos de curto prazo, após o cancelamento de leilões na semana passada.
O governo tenta reanimar a economia do país, que, segundo estimativas, está perdendo pelo menos US$ 310 milhões por dia devido à crise.
Apesar das duas semanas de protestos nas ruas do Cairo e de outras grandes cidades do país, o presidente Hosni Mubarak - no poder desde 1981 - afirmou que não renunciará, mas prometeu não concorrer à reeleição. Seu atual mandato vence em setembro.
Mubarak já responsabilizou o grupo opositor Irmandade Muçulmana, mantido por ele na ilegalidade, pela organização das manifestações e afirma que se ele deixar o cargo, o grupo vai se aproveitar do caos político que se instalará.
Reunião
Na reunião deste domingo com a oposição, o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, ofereceu a criação de um comitê para estudar reformas constitucionais.
No entanto, os grupos opositores, incluindo a Irmandade Muçulmana, reagiram com cautela à oferta. Alguns líderes disseram à BBC que estão céticos sobre as boas intenções do governo e que pediram uma série de medidas para restaurar a confiança entre os dois lados.
As exigências incluem o fim imediato das leis de emergência, que vigoram no país há 29 anos, dando grandes poderes de repressão ao Estado, e o fim do que a oposição chama de "incentivo à intimidação" por parte da televisão estatal.
Essa foi a primeira vez que representantes do governo e da Irmandade Muçulmana, uma organização oficialmente declarada ilegal no Egito, sentaram-se à mesa de negociações com o governo.
Segundo o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne, havia uma ampla gama de representantes da oposição na reunião de domingo, incluindo nomes dos partidos Wafd e Tagammu, além de importantes figuras no país, como o empresário Naguib Sawiris.
A TV estatal afirmou que ficou acertada a criação de um comitê formado por juristas e figuras políticas incumbidos de sugerir mudanças constitucionais.
Os participantes também teriam condenado a interferência externa na resolução da crise no Egito e teriam dito que irão trabalhar por uma transição de poder pacífica.
Na semana passada, Suleiman convidou grupos de oposição para discutir reformas políticas antes das eleições em setembro, alertando a Irmandade Muçulmana de que se tratava de uma "oportunidade valiosa".
Anteriormente, o grupo oposicionista condicionava qualquer negociação à renúncia imediata do presidente Mubarak.
O grupo disse que as conversas deste domingo serviriam para avaliar se o governo estava preparado para a implementação de reformas políticas imediatas.
Obama
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou na noite de domingo que o Egito não vai voltar a ser igual ao que era antes do início dos protestos populares.
Em declarações que foram transmitidas pelo canal de TV americano Fox, Obama afirmou porém que não pode prever se o presidente egípcio renunciará ou não.
“Somente ele sabe o que vai fazer”, disse o presidente americano. “Os Estados Unidos não podem ordenar nada, mas o que podemos fazer é dizer que chegou a hora de começar a promover mudanças em seu país. Mubarak já decidiu que não vai mais concorrer (à Presidência).”
Obama também afirmou não acreditar que a Irmandade Muçulmana terá um papel importante em um eventual novo governo egípcio. “Acho que a Irmandade Muçulmana é apenas uma das facções no Egito”, disse Obama. “Eles não têm o apoio da maioria”, afirmou.
Apesar disso, ele reconheceu que o grupo é bem organizado e tem “traços de sua ideologia que são anti-americanos”. Ainda assim, Obama disse acreditar que haverá um governo com o qual os Estados Unidos possam colaborar “se o Egito passar por um processo de transição ordenado”.
As declarações seguem afirmações feitas também no domingo pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que forçar a saída rápida de Mubarak da Presidência poderia complicar a transformação democrática do Egito.
Para Hillary, a saída imediata de Mubarak poderia afetar as “ações significativas” já tomadas pelo atual presidente para iniciar o processo de reforma.
Ela observou que em caso de renúncia do presidente, a Constituição egípcia prevê a realização de novas eleições em um prazo de 60 dias, o que mesmo a oposição reconhece ser um prazo curto demais para a organização de eleições livres e justas.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

02/02/2011 19h45 - Atualizado em 02/02/2011 20h26

Torcedores entram no Engenhão vestidos de Ronaldinho Gaúcho

Clube distribui máscaras na entrada do estádio. Ambulantes vendem o mesmo produto nos arredores

Por Richard Souza Rio de Janeiro
Poucas horas antes da estreia de Ronaldinho Gaúcho com a camisa do Flamengo, nesta quarta-feira, às 22h (de Brasília), contra o Nova Iguaçu, torcedores chegam às arquibancadas do Engenhão com o rosto do astro. Máscaras do novo ídolo estão sendo distribuídas na entrada. Também há ambulantes vendendo o produto nos arredores, por R$ 5.
Camisas piratas com o nome do jogador também são comercializadas nas cercanias do Engenhão. O preço médio é R$ 10.
O GLOBOESPORTE.COM acompanha o jogo em tempo real, com vídeos, a partir de 21h30m.
Torcedores máscara Ronaldinho'Clones' de Ronaldinho começam a fazer a festa no estádio (Foto: Eduardo Peixoto / Globoesporte.com)

fila engenhão flamengo x nova iguaçuAs filas na entrada do Engenhão são longas (Foto: Richard Souza/Globoesporte.com)

torcida flamengo x nova iguaçu Camisas, máscaras e chapéus: ambulantes fazem a festa (Foto: André Durão/Globoesporte.com)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Grupo de turistas no Cairo não sabe quando voltará ao Brasil

Egito vive nesta segunda-feira o sétimo dia seguido de protestos
Em meio à crise política no Egito, um grupo de 16 brasileiros permanece em um hotel perto do centro do Cairo, a capital do país, sem saber ao certo quando poderão viajar de volta ao Brasil.
A servidora pública federal Luise Assad disse que ela chegou no dia 26 de janeiro ao país juntamente com um grupo de brasileiros para fazer um cruzeiro turístico e participar do casamento de uma amiga.
"Mas agora estamos ansiosos para voltar ao Brasil. Conseguimos antecipar o voo para esta quarta-feira, mas não sabemos se conseguiremos embarcar", disse Assad, que mora em Brasília.
"Quando chegamos ao Egito, já haviam protestos, mas a situação ainda estava boa. Fomos ao museu, às pirâmides e visitamos o centro do Cairo."
Na última sexta-feira, houve confrontos abertos entre as forças de segurança e ativistas, paralisando o Egito. O aeroporto do Cairo cancelou vários voos e, desde então, turistas de todo o mundo lotam os terminais esperando embarcar de volta a seus países de origem.
Cruzeiro cancelado
Luise contou que a situação ficou ainda mais crítica quando o cruzeiro, programado para o sul do Egito, foi cancelado. O governo havia fechado todos os pontos turísticos do país por falta de segurança.
"Começamos a ficar nervosos. Passamos os dias entre os quartos e o saguão do hotel. Isso nos deu uma angústia muito grande."
A irmã de Luise, a médica brasiliense Daniela Assad, contou à BBC Brasil que, na noite do dia 28 de janeiro, quando os manifestantes começaram a enfrentar a polícia pelo Cairo, confrontos ocorreram na avenida em frente ao hotel.
"De repente, as sirenes de emergência do hotel tocaram e muitos saíram correndo, pegando passaportes e dinheiro. Mas eu sou diabética e minha preocupação era pegar meus remédios", contou Daniela.
Ela disse que o gás lacrimogêneo usado pela polícia para dispersar a multidão chegava aos andares superiores do hotel, incluindo o oitavo andar, onde estava.
"O gás entrava no hotel e as pessoas gritavam histéricas. Eu fiquei muito assustada", relembrou.
Daniela foi ainda nesta segunda-feira para o aeroporto, onde deve aguardar seu voo, marcado para amanhã.
"Só quero ir embora agora, espero poder embarcar.".
Vestido de noiva
A dentista Renata Ávila, de Belo Horizonte, aparentava mais tranquilidade após as tensões dos últimos dias.
"No início foi difícil, mas depois acostumei. Quero voltar para o Brasil, mas pretendo retornar ao Egito em outra oportunidade", disse.
Renata contou que a tensão foi maior quando o gás lacrimogêneo entrou pelas janelas e portas do hotel.
"Havia também o cheiro dos carros queimados na rua em frente ao hotel. Eu achei que ia ocorrer algo pior."
O estilista Paulo Araújo, também de Brasília, veio ao país árabe para trazer um vestido feito por ele para o casamento de uma brasileira.
"Não vou esquecer aquela sexta-feira (dia 28) quando estávamos no hotel e eu desci levando o vestido para ir ao outro lado do Cairo. O motorista estava nervoso, dizendo que lá fora os manifestantes e a polícia estavam se confrontando."
Mas ele disse que por volta das cinco horas da tarde na hora local (13h no Brasil), policiais e jovens pararam no meio da rua e começaram a rezar.
"Era o horário da oração muçulmana, e vi ali a oportunidade de sairmos com o carro em direção ao local do casamento."
O estilista contou ainda que, durante o trajeto, seu motorista passava por barricadas feitas pelos manifestantes, subia nas calçadas e dirigia na contramão.
"Nesse momento, eu estava com meu celular do Brasil e consegui um breve sinal para ligar para os meus pais para tranquilizá-los", disse.
Araújo explicou que era a terceira vez que vinha ao Egito e que nunca imaginou que o país passaria por uma convulsão política como a atual.